

Mestre Zé Silva nasceu em Santo Amaro da Purificação (BA), cidade berço de grandes nomes da cultura brasileira. Ainda jovem, ficou em segundo lugar em um festival de música local — o primeiro sinal de uma vida dedicada à arte.
Cresceu cercado de criação: seu pai, Waldemiro Lopes, era artista e artesão do entalhe em madeira, da xilogravura e da pintura a óleo, e imprimia xilogravuras para o renomado gravador Calazans Neto. Vizinho de Caetano Veloso, Maria Bethânia e Roberto Mendes, formou sua sensibilidade em meio à efervescência cultural da cidade. Seus primeiros trabalhos visuais foram escudos pintados em camisas escolares.
Aos 18 anos mudou-se para São Paulo, onde trabalhou como gráfico e teve um contato mais técnico com o universo visual e impresso. Aos 24, voltou a Salvador para abrir sua própria gráfica, mas o chamado da pintura falou mais alto: retomou os pincéis e mergulhou nas artes plásticas, desenvolvendo um estilo surrealista inspirado em Salvador Dalí.
Vieram as primeiras exposições individuais e as encomendas — mais de 100 telas a óleo para um único colecionador — além de uma série de telas abstratas exportadas para Portugal e da parceria com o marchand Nagibe André, da Galeria Banco de Arte. Fundou seu ateliê no Pelourinho, epicentro cultural de Salvador, e viveu no Largo Dois de Julho, no mesmo prédio histórico em que faleceu o poeta Castro Alves, convivendo com artistas, historiadores e escritores da cena baiana.
Mais tarde mudou-se para Guarajuba, no Litoral Norte da Bahia, onde iniciou uma nova fase voltada à xilogravura e ao entalhe em madeira — técnicas que o reaproximaram das raízes familiares e da tradição da arte baiana.
A madeira exige respeito. Cada golpe de goiva é uma conversa sem volta com o jatobá. A imagem não nasce no computador, mas da força do braço e da tinta densa na prensa manual.
Mestre Zé Silva
Décadas de Entalhe e Tradição
50+
Anos de Ofício
600+
Matrizes Entalhadas
10K+
Tiragens Numeradas
